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19 de julho de 2019

Mais um agente de trânsito assassinado. Até quando?

Por: Junia Ferreira

As estatísticas só aumentam. Mais um frasco do nosso sangue é derramado. Desta vez no Ceará, em Sobral, na última quinta-feira, 18. Seu nome, aqui citado no presente, pois em nosso pensamento o irmão de farda permanece vivo, é Jackson Bezerra, Agente de Trânsito e Transporte, que foi abatido simplesmente por cumprir sua atribuição de combate ao transporte clandestino de passageiros naquela localidade.


O risco na profissão é mais do que perceptível. O reconhecimento praticamente inexiste. A sensação de impotência nos abarca e na boca fica um gosto amargo de mais uma vida perdida e o pensamento de que tudo poderia ser diferente. De que muito do que ocorre poderia ser evitado. Jackson não vai ter chance de se aposentar. Jackson não teve chance de se defender. Jackson grita por justiça por meio da nossa voz e toda a categoria solicita dos governantes, especialmente aos Deputados, Senadores e ao próprio Presidente da República, mais respeito com a vida de TODOS os agentes de trânsito e o reconhecimento destes como entes pertencentes à segurança pública, na linha de frente na batalha contra a violência.


Para salvar vidas as nossas ficam expostas e cumprimos a missão perseverantemente, tanto para manutenção de nossa própria subsistência, quanto por amor, pela sensação de estar contribuindo para uma maior segurança na vida das pessoas, pelo menos no trânsito, embora se analisada com mais detalhe a situação, acabamos por combater outros tipos de violência, como nas blitz em que nos deparamos, muitas vezes, com criminosos que acabaram de cometer um assalto ou outros ilícitos e, mesmo dependentes de outras forças para promover nossa segurança - algo que custa muita à sociedade, pois para fazê-lo deixa-a desguarnecida de patrulhamento, já que os efetivos sempre são escassos – ainda nos vemos fragilizados, pois o primeiro contato com o condutor é sempre do agente de trânsito.


À família de Jackson manifestamos nossa dor, nosso respeito, nossas condolências e o sentimento de solidariedade. Rogamos ao Pai que o receba com carinho e conforte os corações de familiares e amigos. Aos responsáveis pela investigação dos fatos, inquérito e acusação, exigimos justiça. Por fim, aos nossos governantes, suplicamos por resiliência, que se coloquem no lugar de cada agente assassinado, de cada familiar que perdeu um ente amado, de cada um de nós que está exposto nas ruas cumprindo suas obrigações e tendo a vida exposta à criminalidade e a riscos paralelos, como atropelamentos, doenças como câncer de pele e pneumonia, entre outras mazelas. 


E vamos em frente, seguindo as palavras de Geraldo Vandré: “[...] vem vamos embora, que esperar não é saber. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”. Como entidade representativa a AGT Brasil conclama a todos os agentes de trânsito do Brasil que nos unamos mais ainda para buscar mais respeito, segurança e valorização para a categoria. Não podemos permitir que seja em vão as mortes de colegas de farda como o Jackson.

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