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17 de agosto de 2019

Mais um Agente de Trânsito assassinado covardemente

Por: Junia Ferreira


Você assume uma profissão e conforme a escala sai a campo para prestar o melhor serviço possível. Sua atividade é de risco. Você tem que cobrar das pessoas a obediência às normas de convivência em sociedade em dois ambientes peculiares: o trânsito e o transporte. Nesses afazeres, direta e indiretamente você salva vidas e evita o caos social. Você se depara com pessoas de todos os tipos, com boas e más índoles. Você lida com críticas diárias daqueles que se recusam a agir com cidadania e respeito ao próximo até que um dia um desses resolve covardemente tirar sua vida.


Foi isso que ocorreu mais uma vez com um Agente de Trânsito. Foi isso que fizeram hoje, em Altamira/PA, com FABRÍCIO DESANGELYS MONTEIRO na madrugada deste sábado, 23, quando saia de um evento. Foi atingido, pelas costas por três tiros de uma arma calibre 22. O criminoso já havia ameaçado com uma faca outro agente naquela localidade, havia sido preso na ocasião e liberado. O pior é que, embora tenha sido capturado novamente após ter cometido esse assassinado, pode ser solto e continuar cometendo atrocidades. Ressalta-se que durante o feito essa criatura não estava sozinha. Havia outro “cidadão” que se encontra foragido.


Fabrício, que era casado e tinha apenas 38 anos, chegou a ser encaminhado para o hospital, mas não resistiu. Era, segundo seus colegas de labuta, um profissional atuante, responsável e comprometido com suas atividades. Havia ingressado a apenas 6 anos na carreira de Agente de Trânsito no Departamento Municipal de Trânsito de Altamira (Demutran).


E agora. Será apenas mais um nas estatísticas? Há tempos, por meio da AGT Brasil e outras entidades representativas espalhadas pelo Brasil têm lutado por condições mais seguras e dignas de trabalho para toda a categoria e somente promessas são proferidas, sem qualquer resultado prático. Quantos terão que cair até que os governantes e legisladores compreendam a dimensão do risco que correm. Nas mãos de cada um deles está o sangue de Fabrício e de tantos outros que infelizmente já nos deixaram.


Nesse momento não há palavras que possam amenizar a dor sentida por familiares e amigos de Fabrício, mas nos resta dar continuidade à luta. Nos resta continuar buscando o porte de armas funcional, a aprovação de um estatuto nacional, melhores condições de aposentadoria, mais treinamento e capacitação, o reconhecimento do pertencimento da classe entre as categorias componentes da segurança pública. Nos resta a necessidade de fortalecimento dos laços de união para maior engajamento nessa luta surreal.


A AGT Brasil deixa aqui manifestado o carinho e respeito à família, amigos e companheiros de trabalho de Fabrício e reafirma seu compromisso de continuar o trabalho em prol da segurança, reconhecimento e valorização profissional de todos os Agentes de Trânsito e  Transporte da nação brasileira.

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